Problemas vocais afetam quase metade dos professores gaúchos.
Uma nova lei levará alívio aos professores que sofrem com rouquidão, nódulos nas pregas vocais e falta de voz. Voltado para cuidar da saúde vocal de docentes da rede municipal de ensino, o Programa Municipal de Saúde Vocal foi aprovado pela Câmara de Vereadores na segunda-feira.
Autora da proposta, a presidente do legislativo, Sofia Cavedon (PT), diz que o tema já havia sido objeto de lei aprovada em 2004, mas acabou revogada.
– Trabalhei oito anos e meio na rede municipal, com educação física, e sempre chegava à sexta-feira rouca – conta a vereadora.
A iniciativa tem quatro frentes – começa pela prevenção, que envolve campanhas informativas e exames no momento da admissão e periodicamente. Na parte da capacitação, serão oferecidos cursos aos docentes, a fim de orientá-los para o uso correto da voz.
Na proteção, haverá análise do ambiente de trabalho, com o objetivo de implementar quadros brancos com pincel atômico, para substituir o giz, cujo pó causa dificuldades na voz. Também será necessário oferecer água aos professores nas salas. O último item é a recuperação, no qual o docente com distúrbios receberá orientação para buscar tratamento.
Segundo a fonoaudióloga clínica e escolar Karine Darde, problemas nas pregas vocais são muito comuns entre professores, em virtude do esforço diário em sala de aula. Uma consequência é o grande número de afastamentos e licenças, aponta. O Conselho Regional de Fonoaudiologia utiliza como referência uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Sinpro) em 2009. O levantamento apontou que 49% dos entrevistados apresentavam problemas ligados à rouquidão ou falta de voz.
– Estamos em tratativas com o IPE (Instituto de Previdência do Estado) para beneficiar também os professores da rede estadual – afirma a presidente do conselho, Marlene Canarim Danesi.
Fonte: Zero Hora